Boneca de Gente Grande

Tarde chuvosa. A menina infelizmente teve que deixar de lado sua brincadeira com a linda boneca, a mãe chamava irritada e insistentemente.

Era hora de tomar um bom banho, vestir o recentemente engomado vestido rosa, pentear os cabelos e para ficar ainda mais bonita, finalizou tudo com um lindo laço de fita.
Os pais, naquela noite, eram anfitriões de mais um de seus famosos jantares. E a menina? Mais uma peça mobília daquela sala, a quem a mãe preparou e arrumou do jeitinho que ela, senhora da casa, gostava.
A pobre menina estava lá, descendo as escadas com o mais belo e falso sorriso que poderia colocar em seu rosto: ordens da mamãe. Irradiava aquela beleza falsa, uma infelicidade feliz. Não queria estar lá, queria suas bonecas, sua infância, mas a única coisa que lhe restava naquele momento era seu vestido rosa, o penteado no cabelo, o laço de fita e o nó em sua garganta.
Dessa vez, como em todos os outros ricos e enfadonhos jantares em sua casa, a menina se transformava em boneca e a mãe a manipulava do jeito que queria e precisava.

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