O Castelo de Vidro, de Jeannette Walls

Oi, gente.

A leitura que fiz e vou comentar com vocês hoje, apesar de ser um best-seller lá fora aqui no Brasil ainda é um título pouco conhecido. Confesso que eu mesma não tinha ouvido falar nem da autora, nem do livro até que, por conta do meu trabalho, tive contato com a adaptação para o cinema. Bom, vamos deixar o filme de lado porque o papo de hoje é exclusivamente sobre o livro O Castelo de Vidro, de Jeannette Walls.

 

O CASTELO DE VIDRO

(The Glass Castle)

Autor: Jeannette Walls

Editora: Globo Livros

Ano: 2014 / Páginas: 336

Gênero: Drama ; Biografia / Memórias

 

SINOPSE: A bela jornalista ruiva, uma profissional de sucesso na capital dos negócios, Nova Iorque, contempla a cidade pelos vidros do táxi. Em breve chegará a seu luxuoso apartamento, repleto de antiguidades, mapas antigos, livros raros e tapetes persas. Subitamente, seu olhar é atraído por uma visão, infelizmente não tão incomum nas metrópoles: uma senhora idosa e desgrenhada vasculha uma lixeira em busca de algo para comer. Em pânico, a jornalista, que aterrorizava as celebridades com sua ácida coluna de fofocas, esconde-se no interior do veículo. Havia reconhecido a mulher em estado de indigência. Tratava-se de sua mãe. Um conto fantástico, ou a imaginação delirante de um autor, em busca do efeito fácil sobre os leitores, diriam alguns. No entanto, a história é absolutamente verídica, e um desses casos em que a realidade parece emprestar as tintas da ficção.

Em O Castelo de Vidro, Jeanette Walls escreve as memórias de sua família boêmia, errante, atípica e inconformista. Talvez herdeiros do espírito libertário dos beats, ou da rebeldia dos anos sessenta, os pais de Walls enveredariam por um verdadeiro périplo por dezenas de cidades americanas, chegando mesmo a viver nas ruas, como sem-teto. Avessos aos trabalhos regulares, o pai vivendo de expedientes, a mãe, uma pintora amadora e amante das artes, muitas vezes as memórias de Walls revelam momentos em que a fome e o desespero parecem intoleráveis. No entanto, com seu estilo vigoroso e direto, ela nunca apela para as explicações de cunho psicanalítico ou social, e escapa do sentimentalismo banal.

Cumpre acertar as contas com seu passado, a compreensão de um choque de ideais e de gerações. O livro de Walls, para além do relato de uma infância de miséria, aponta, portanto, para questões da maior relevância. Trata-se da solidão e da incomunicabilidade entre as pessoas, e da perseguição de sonhos e projetos pessoais. A história da família de Walls, portanto, em seu caráter absolutamente único, fala um pouco de todas as famílias, de todos os sonhos, de toda a existência. Fala um pouco sobre todos nós. É uma incrível lição de vida, que nos mostra a garra de e caráter de Jeannette.

 

 

Contrariando um pouco o meu gosto pessoal para leituras, realmente me interessei por essa história verídica e cheia de nuances. Jeannette, uma jornalista de sucesso, que escreve para uma coluna de fofocas em um famoso jornal em Nova York tem uma vida sofisticada e é realmente elegante, mas nem sempre sua vida foi assim, na verdade, foi tudo bem o contrário disso.

Logo de cara, no primeiro capítulo do livro, nos deparamos com Jeannette fazendo um breve relato do momento em que, ao sair de um jantar em um restaurante refinado, seu taxi para no congestionamento e ao olhar para o lado ela se depara com uma senhora revirando o lixo na calçada. É sua mãe. Ok! Só isso já é motivo suficiente para você avançar na leitura e, de verdade, queria muito que fosse ficção. É doloroso pensar em uma situação como essa. Somos remetidos ao passado de Jeannete, para entender como a vida levou a família Walls a essa situação.

Essa história, apesar de extremamente difícil em alguns pontos, onde inclusive a fome assolava a família, tem um contraponto incrível. O que é família? O que é lar? Quais são os seus ideais? Você vive a vida da maneira como acha que tem que viver, ou como a sociedade impôs que deve ser feita? Tenho certeza absoluta que outros questionamentos mil devem surgir e arrebatar as pessoas de diversos modos durante a leitura de O Castelo de Vidro, acredito que esses foram os meus. Uma família errante, porém unida. A seu modo, que a muitos pode parecer estranhíssimo, eles se amam.

Meus sentimentos foram, de certa forma, de revolta em boa parte da leitura, principalmente direcionada a Rex, o pai. Não posso explicar muito bem os meus sentimentos, por conta de spoiller, mas independente de ter meu total apoio por levar a vida como acha que deve, sem se importar com o restante do mundo, há questões em seu comportamento que são completamente nocivas ao resto da família, de verdade. Um outro ponto que não me agradou no livro é que em diversas situações a narrativa acabava sendo redundante. Situações muito parecidas sendo narradas completamente, então por diversas vezes eu tinha o sentimento que estava lendo o mesmo capitulo novamente. Daí a minha baixa avaliação para o livro. É uma biografia com um quê de romance, aí um ponto positivo, mas que se estende demais em um mesmo ponto, tornando-se mais maçante do que interessante.

Até a próxima. 

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