Enclausurado, de Ian McEwan

Oi, gente.

Eu vivo dizendo a vocês que busco, ao escolher minhas leituras, sair da minha zona de conforto, não é sempre, mas tenho meus momentos. Nem vem dizer que não, porque todo leitor tem sim suas preferências e sua zona de conforto ao escolher leituras, principalmente por gênero que sabe que vão lhe agradar ou autores já conhecidos, que se tem familiaridade com a narrativa e etc. Eu gosto e procuro sempre diversificar, até mesmo para eu poder dizer que gosto ou desgosto de algo, que partilho ou discordo da opinião das pessoas. Pensando em sair da minha zona de conforto lá fui eu escolher um autor que não conhecia, apesar do gênero desse livro já ser meu conhecido – e bem querido -, escolhi a leitura de Enclausurado, de Ian McEwan e vou contar a vocês um pouco sobre essa leitura.

 

ENCLAUSURADO

(Nutshell)

Ian McEwan

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 200 /Ano: 2016

Gênero: Ficção

 

SINOPSE: O narrador deste livro é nada menos do que um feto. Enclausurado na barriga da mãe, ele escuta os planos da progenitora para, em conluio com seu amante — que é também tio do bebê —, assassinar o marido. Apesar do eco evidente nas tragédias de Shakespeare, este livro de McEwan é uma joia do humor e da narrativa fantástica. Em sua aparente simplicidade, Enclausurado é uma amostra sintética e divertida do impressionante domínio narrativo de McEwan, um dos maiores escritores da atualidade.

O livro é narrado por aquele que nem nasceu. Enquanto Machado nos apresentou ao defunto autor e Ian nos introduz a um mundo narrado da perspectiva de um feto ou um bebê em desenvolvimento, como preferir, ainda na barriga de sua mãe.

Construindo uma narrativa utilizando-se de um linguajar poético, o bebê nos mostra seus pontos de vista, emoções e sensações que vivencia em sua inicial existência. Ele nos conta o que pensa sobre Trudy, sua mãe, sobre Claude, seu amante – e tio! – e sobre seu pai. Diante de certezas e incertezas, nos conduz a uma narrativa fantástica dos planos da mãe em conluio com o amante de assassinar o marido, por muitas vezes inebriado pelas taças de vinho ingeridas pela progenitora.

Interessante é o mínimo que posso dizer sobre a maneira como Ian nos apresenta à história. Confesso que a trama não foi lá muito das originais, porém somente o fato de ser narrada pela perspectiva de quem ainda nem veio ao mundo é, sem dúvida, o diferencial. No começo da leitura confesso que demorei a me acostumar com o estilo. O autor utiliza-se de uma linguagem extremamente poética que, combinada ao uso de um vocabulário não muito corriqueiro, me fez com que eu tivesse que reler algumas passagens par captar a essência. Nada muito exagerado, tudo na medida, mas que faz com que você leve algumas páginas até se acostumar com o estilo, mergulhar na leitura e se enveredar de verdade na trama. A ironia da narrativa, ao meu ver, esteve presente em diversas situações e até mesmo na construção da própria história, pois como poderia um feto saber tudo o que sabe, ver tudo o que vê e ter tamanho discernimento da vida se tudo o que ele viu e viveu até hoje foram somente alguns meses dentro de uma placenta? Pois é… aí é que está o contraponto maravilhoso.

De verdade, acredito que esta seja uma leitura aconselhável àqueles que querem sair do “mais do mesmo”, que procuram uma narrativa mais elaborada e cheia de dizeres nas entrelinhas. Ian McEwan me surpreendeu positivamente com a maestria do uso das palavras. Leitura mais do que recomendada.

Até a próxima.

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