Dias perfeitos, de Raphael Montes

Oi, gente!

Era uma vez, em um momento tão distante o projeto Leitura Coletiva. Não sei se vocês se lembram, mas tem um bom tempo o O que disse, Alice? e outros blogs amigos fazíamos leituras em conjunto, normalmente escolhendo um tema para que todos fizessem a leitura escolhida dentro daquela proposta e em alguns momentos escolhemos até o mesmo livro para que todos fizessem a leitura. E sim, o projeto voltou!
Nesse mês de outubro, fizemos a nossa votação e descobrimos que somos clichê e optamos pelo tema: gênero terror ou suspense.
Confesso a vocês que fiquei super animada com a escolha do meu livro: Dias Perfeitos, de Raphael Montes.

DIAS PERFEITOS

Autor: Raphael Montes

Editora: Companhia das Letras

Ano: 2014

Páginas: 274     

Gênero: Ficção, suspense

Sinopse: Téo é um solitário estudante de medicina que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e examinar cadáveres nas aulas de anatomia. Durante uma festa, ele conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que sonha tornar-se roteirista de cinema. Ela está escrevendo um road movie sobre três amigas que viajam em busca de novas experiências. Obcecado por Clarice, Téo quer dissecar a rebeldia daquela menina. Começa, então, uma aproximação doentia que o leva a tomar uma atitude extrema. Passando por cenários oníricos, que incluem um chalé em Teresópolis e uma praia deserta em Ilha Grande, o casal estabelece uma rotina insólita, repleta de tortura psicológica e sordidez. O efeito é perturbador. Téo fala com calma, planeja os atos com frieza e justifica suas atitudes com uma lógica impecável. A capacidade do autor de explorar uma psique doentia é impressionante – e o mergulho psicológico não impede que o livro siga um ritmo eletrizante, repleto de surpresas, digno dos melhores thrillers da atualidade. Dias perfeitos é uma história de amor, sequestro e obsessão. Capaz de manter os personagens em tensão permanente e pródigo em diálogos afiados, Raphael Montes reafirma sua vocação para o suspense e se consolida como um grande talento da nova literatura nacional.

 

 

 

Dias não tão perfeitos assim

Téo é um estudante de medicina que tem um gosto peculiar: a patologia. Até aí, ainda bem que tem quem goste, não é mesmo? Ele é filho único e vive com sua mãe Patrícia, que requer cuidados e companhia, pois é paraplégica. O jovem não é a pessoa mais sociável e seu primeiro diálogo e amor platônico é por Gertrudes, um dos cadáveres de estudo das aulas de anatomia, na faculdade. (não, não, isso não é um spoiller… acontece logo no primeiro capítulo). Bom, vamos deixar um pouco de lado meu julgamento sobre a sanidade do rapaz. Não muito após a “perda” de Gertrudes, Téo é confrontado por Clarice. Coloco desta forma, pois o momento em que se conhecem é praticamente um interrogatório por parte da garota. Ele é arrebatado por esta garota. Clarice é, a seu modo, espontânea, que tem vontade de viver. Estudante de História da Arte, roteirista que sonha em rodar seu primeiro longa: Dias Perfeitos.
Téo precisa dela e faz de tudo para estar ao seu lado. É uma obsessão doentia e em poucas páginas o que poderia ser só um transtorno de alguém meio maluquinho se mostra um grande caso de psicopatia. É desesperador.
A partir do momento em que Clarice o rejeita, Téo se transforma e se transtorna. Adquirindo uma postura completamente surpreendente, ele começa a agir. Golpear e sequestrar Clarice é só o começo do que Téo faz… por amor?

Contundente e previsível

Nunca escondi de ninguém o quanto eu admiro Raphael Montes e seu estilo de narrativa. No entanto, não sei se o superestimei por conta de Jantar Secreto ou é uma análise fiel, mas Dias Perfeitos deixou muito a desejar. Vou começar pontuando os aspectos positivos, pois é sempre melhor enaltecer pra depois judiar, certo? Foi mais ou menos isso que Téo fez com Clarice!
O autor foi um mestre na criação de seu personagem principal, em todas as suas nuances. Longe de mim ser expert em psicopatas, porém nosso protagonista apresenta desde as características mais comuns, às mais sórdidas, inclusive por vezes criando ilusões em situações inexistentes e foi esse seu gatilho para ação. Ele não suportou o fato de que Clarice não tinha por ele o sentimento recíproco: uma paixão avassaladora. Bom, me questiono o que era paixão para ele, no caso, porque acho que ninguém poderia corresponder à altura, mas vamos nos ater aos fatos. A construção do protagonista nos faz entender um pouco da insensatez que o faz ser frio, cruel e calculista. É muito diferente de maldade. Ele realmente acredita no que está fazendo e que vai dar certo: se eu te dopar, te colocar em uma mala e te sequestrar, você me ama e se casa comigo? É mais ou menos esse o caminho do raciocínio de Téo.
Além de todos estes pontos existe uma incompatibilidade gigantesca nesse casal e que ele acredita que Clarice será, de certa forma, corrigida. Além de todo esse desequilíbrio, Téo se apresenta uma pessoa intolerante, egoísta, machista e controladora, o que vai completamente de encontro com a Clarice e seu espírito livre. Ela quer viver, viajar, curtir, escrever, há uma questão com relação à sua opção sexual… É água e óleo. Isso nunca poderia dar certo, mas talvez seja isso que faz com que os diálogos – ainda que em determinado momento eu não suportasse mais o Téo – sejam interessantes e instigantes.
Falei bem da construção do personagem e mal de  seu comportamento, afinal.
De qualquer forma, apesar da narrativa ter sido construída de uma maneira incrível, como Raphael é capaz de fazer, fiquei querendo mais, esperando um pouco mais. É mais do mesmo, a história é amarrada, é linear. A gente fica esperando um clímax que vem somente nos últimos capítulos e ainda deixa a gente com mais raiva ainda de tudo o que a gente já leu – bom, pelo menos me deixou extremamente p#&@ da vida, sério. Surpreendente final, sim, mas a gente queria mais sr. Autor. Eu realmente já estava com preguiça do livro, achando tudo mais do mesmo.

 

Raphael Montes perdeu pontos

Bom, eu já havia lido O Vilarejo, que são contos interligados entre si e também Jantar Secreto, que acho que foi um dos melhores que li este ano, mas com Dias Perfeitos o autor perdeu algumas posições no meu rol de autores preferidos. Vamos ver com o próximo título, porque neste realmente me bateu uma pontinha de decepção.

 

Veja os outros blogs participantes da Leitura Coletiva…

♣ Wonderbooks da Alice – Doutor Sono, de Stephen King

♣ Vida e Letras – A Hora do Lobisomem, de Stephen King

♣ Entre Páginas – O Menino que Desenhava Monstros, de Keith Donohue

♣ Versos e Notas – O Assassinato de Roger Ackroyd, de Agatha Christie

♣ Meu Epílogo – Mate o Próximo, de Federico Axat

The Tony Lucas Blog – Misery, de Stephen King 

♣ Who’s that Girl – O Assassinato no Expresso Oriente, de Ághata Christie

 

 

Até a próxima!

*.*

Comentários

Comentários

5 Comments

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    Tami 1 de novembro de 2017 (17:00)

    Oi, Mahhh

    Quem é a fraude aqui? Quem? Tamires, claro!! Aticei todo mundo e cadê minha resenha? hahahaha Que vergonha! Mas eu me enrolei! AAAAAAAAAA

    “Vou começar pontuando os aspectos positivos, pois é sempre melhor enaltecer pra depois judiar, certo?” ADOREI ISSO! haahahahahhahaha

    Eu ainda não li esse, mas tenho vontade. Eu gosto muito do Raphael e Jantar Secreto também foi uma das minhas melhores leituras, então quero ler tudo dele. Eu estou com Suicidas aqui e vou ler em breve… então fiquei meio borocoxô quando vi que você não curtiu tannnnnto assim, na verdade suas ressalvas foram bem pontuais, mas eu estava esperando aquela coisa mais impactante e incrível de Jantas Secreto, sabe? ahahahahah
    Mas em todo caso eu vou ler e vou me atentar aos seus pontos levantados para ver se vamos ter a mesma opinião!

    Beijo, amiga! :***
    – Tami
    http://www.meuepilogo.com

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      Marina Herrador 6 de novembro de 2017 (15:28)

      Tamires! Sua fraude!!! hahha
      Brincadeira… eu, mais do que ninguém, sei como é difícil conciliar as coisas da vida e as tarefas do blog, leituras e etc. Mais do que todos, te entendo.
      Mas leia e quero saber sua opinião, pois geralmente temos opiniões bem parecidas com leituras desse gênero! Quero muito saber o que vai achar.
      Bjs*.*

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    Bárbara Carollo 6 de novembro de 2017 (15:13)

    Oi, Mah!
    Menina, que vontade de conhecer a escrita do autor. Fico procurando algum livro dele que seja mais “leve”, mas acho que não tem disso não, né? haha
    Acho que esse foi um dos primeiros livros do autor, certo? Talvez seja por isso que não seja o melhor dele. Já vi alguns comentários de blogueiros dizendo que ele cresceu e evoluiu sua escrita, o que parece ficar nítido em Jantar Secreto.
    Adorei a resenha e a vontade de ler tá só aumentando! Acho que vou tomar coragem e ler no próximo ano 😀
    Beijos,

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      Marina Herrador 6 de novembro de 2017 (15:30)

      Sim, Bah. Acredito que esse tenha sido o primeiro dele.
      Meus dois contatos anteriores com a escrita do Raphael, me fizeram supervalorizá-lo, eu acho. De qualquer maneira, agora tenho que ler Suicidas para ter uma opinião 100% formada. Depois que fizer a leitura desse último que me resta te digo qual é o menos pesado, porque realmente acho que leve vai ser difícil de encontrar alguma coisa desse moço.
      Bjs*.*

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    Tony Lucas 7 de novembro de 2017 (20:52)

    Oi, MaH! Tudo bem? Li Jantar Secreto e AMEI! Também o considero um dos melhores que li no ano! <3 Mas que pena saber que Dias Perfeitos não é tão bom assim! Já vou diminuir as expectativas aqui. Adorei a resenha! <3

    Abraço

    http://tonylucasblog.blogspot.com.br/