Objetos Cortantes, de Gillian Flynn

Oi gente!!!

Só mesmo Gillian Flynn para criar personagens tão transtornados e mais um suspense categórico. Confesso que tenho por hábito, após o meu primeiro contato com o autor, se me apaixonar por sua obra, já logo sair em uma pesquisa e busca desenfreada de outras obras suas.

O que normalmente não acontece é o autor conseguir, na minha modesta opinião, manter o nível de uma obra pra outra. Acho que crio aquele excesso de expectativa e aí acaba não dando certo.
Enfim, há tempos atrás li Garota Exemplar, sem pretensão alguma e sem nem ter ouvido falar da obra. Achei simplesmente divino, e já logo fui correndo atrás de outros títulos da autora que já tivessem sido lançados aqui no Brasil. Tarefa difícil, viu?! Até encontrava os títulos, mas nunca disponíveis em estoque.
Na verdade, tudo isso aconteceu já há um bom tempinho e Objetos Cortantes  não havia sido lançado pela Intrínseca ainda, mas sim pela Rocco, mas com o título Na Própria Carne. Essa é uma curiosidade, pois já conversei com algumas pessoas que não sabiam que o livro já havia sido publicado anteriormente aqui.
Enfim, depois de uma grande busca, fiinalmente consegui.
E assim foi que Gillian Flynn me conquistou de vez.

Em Na Própria Carne – ou Objetos Cortantes –, temos um suspense policial, puro e simples. E uma mente doente! Não dos personagens – ok, também dos personagens -, eu,  honestamente, gostaria de saber o que se passa na cabeça da autora para conseguir criar perfis tão psicóticos!!! Criar expectativa é uma coisa meio ruim, você fica mais exigente com a leitura e espera, nesse caso, por personagens tão humanos e concretos como a obra Garota Exemplar teve. Não arrisco em dizer que a construção dessas vidas ficou ruim, mas talvez um pouco aquém das minhas expectativas, algo iria passar. Esperava uma construção de personalidades um pouco mais sólida, mais tridimensional. Não é que isso prejudica na compreensão da obra, claro, mas essa lapidação fascinaria ainda mais. De certa forma, isso é bem coerente, afinal, esse eh o romance de estreia da autora. 
Falando um pouquinho do livro, Camille Preaker, é uma jovem jornalista ansiando por uma matéria de mais relevância em sua vida profissional, arriscando a vida na cidade grande – Chicago – é enviada para a cobertura e uma reportagem investigativa sobre assassinatos, em uma cidadezinha do Missouri, sua cidade natal. Seria ótimo voltar ‘pra casa’ se Camille não tivesse tido uma infância difícil e alguns problemas de relacionamentos com sua família: um pai que nunca conheceu; um padrasto que a criou e a quem sequer ousara chamar de pai, mesmo o tendo conhecido quando ainda criancinha; a falecida meia-irmã; outra meia irmã que praticamente conhecia só de nome, e sua mãe.
Assassinatos ocorreram de duas meninas ocorram nessa cidade e Camille é enviada para lá para conseguir um ‘furo’ jornalístico. Entretanto, parece que quanto mais ela se envolve na investigação, mais a investigação se envolve nela. Tudo traz à tona suas lembranças e em diversas situações ela se vê forçada a encarar fatos e consequências de seu passado. Fato interessante é que Camille teve uma infância sofrida e nada equilibrada emocionalmente. Para suprir algo, ou para se punir, se marcava. E essa é uma luta constante em sua vida, lutar com suas palavras pulsantes entalhadas em seu corpo.
Como toda cidadezinha, a investigação corre em meio a fofocas e em alguns momentos fica muito obscuro ao leitor o que é fato e o que é inventado, o que traz um clima ainda mais interessante à leitura. Temos o retrato de uma polícia local um tanto quanto viciada no oficio e ineficiente, que depende do reforço de um investigador do Kansas. 
Jovem, esperto e muito mais perspicaz do que a ingênua Camille, Richard Willis, está sempre à frente nas investigações e sentimentos. É um personagem que cresce dentro da obra, o que não corresponde ao seu desfecho que, na minha opinião, foi um pouco vazio.
E claro, não podemos deixar de falar em Adora, a mãe de Camille, e sua meia-irmã Amma. Desequilibradas, as duas! Cheguei a odiá-las  –  e não foi pouco -, mas em alguns momentos quase me sensibilizei… quase!
A narrativa é realmente envolvente, embora eu ache que tudo se solucionou de uma maneira muito rápida e simplória e alguns detalhes, portanto, passaram batidos na hora de ‘explicar’ o crime. Mas é bem como dizem: um serial killer é um psicopata, e psicopatas não tem estereótipos e podem estar ao seu lado, convivendo dia a dia com você.
Por se tratar de um livro de suspense,  tive o maior cuidado para não conter spoillers… 
Bom, então a única coisa que posso dizer é que passei o livro  todo me achando a Sherlock e muito mais inteligente que todo mundo, mas aí veio Gillian e me mostrou que nem sempre as coisas terminam do jeito que esperamos ou como parecem que vão terminar!
E você, já leu esse livro? Gosta da Gillian? 
Não é uma leitura muito fácil de ‘engolir’ pelas coisas que acontecem, ou até mesmo que a própria protagonista se faz, mas recomendo. 
Até a próxima. 
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Sinopse:
A vida da solitária Camille Preaker em Chicago resume-se a escrever matérias para a editoria de polícia do jornal Daily Post, beber vodca além da conta e torturar-se pelo passado que deixou para trás na pequena Wind Gap, sua cidade natal. É para lá que seu editor a envia em busca de um furo de reportagem. Naquela comunidade ao sul do Missouri, um serial killer faz de crianças suas vítimas. Recebido com entusiasmo pelo público e pela crítica dos Estados Unidos, Na própria carne, romance de estréia de Gillian Flynn, descreve o tumultuado reencontro da protagonista Camille Preaker com os fantasmas de sua própria história.

Sharp Objects
Autora: Gillian Flynn
300 paginas


Avaliação:

Muito bom. 

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