Proibido, de Tabitha Suzuma

Oi gente!

Estava super em débito com vocês para trazer essa resenha. Como eu disse no vídeo das leituras do mês de julho – não viu ainda? Então não perde tempo e clica aqui! -, estava precisando digerir um pouco a leitura para chegar em uma conclusão e trazer essa resenha a vocês.

Eu acho, de verdade, que até o momento essa foi a resenha mais difícil que eu já fiz até hoje. O ema é delicado e expressar opinião sobre esse livro é também uma questão delicada. Sobre o processo criativo dessa resenha: demorei para começar escrever, fiz e não publiquei; a cada revisão eu deletava e começava tudo do início….e estou aqui, um mês depois disso tudo contando a vocês o que achei.

  
Proibido
(Tabitha Suzuma)
Editora: Valentina

Amazon
Submarino
Americanas
   
Sinopse: Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher. Marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.
Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes.
Eles são irmão e irmã.
Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.
Logo no início da leitura já conseguimos perceber que não iremos conhecer a uma família comum. São 05 irmãos, um pai que já os abandonou há tempos e a mãe, uma completa egoísta, que não tem a menor ideia do que é viver esse papel e ser mãe. Vive entorpecida e alienada, só tendo foco nas roupas cada vez mais extravagantes e no novo namorado. Os filhos? Não quer nem saber… eles seguem o rumo da vida por si próprios. O que importa é que não a incomodem, nem muito menos atrapalhem seus planos – que muitas vezes incluem curtir uma bela ressaca.
As crianças e os mais velhos frequentam a escola, são ótimos alunos e em casa cada um tem suas tarefas e atribuições e cabe aos mais velhos, Lochan e Maya, a maior parte das tarefas para que tudo esteja sempre sob controle. Isso tudo ocorre porque o objetivo deles é único: manter a família unida. Eles sabem que, ao mínimo sinal de descontrole da situação familiar em que vivem, o conselho tutelar seria acionado, é certeza que a mãe perderia a guarda de todos os filhos, devido à sua negligência, e com certeza os cinco seriam separados.
É um cenário dramático. Uma situação extrema à qual Tabitha nos remete e nos contextualiza. Eu colocaria como caos familiar, no qual duas crianças foram forçadas pela vida a terem atribuições de adultos em prol de um bem maior e assim crescerem e amadurecerem bem antes da hora. E apesar de tudo Lochan e Maya conseguem, pois o que se espera é uma família – ou o que restou dela – completamente desestruturada, mas não é isso o que a gente vê.

Como podemos exigir que, quando se leva uma vida completamente fora do normal, você enxergue o mundo lá fora e o seu próprio mundo de uma maneira normal? O que é normal, afinal? O que você sente é normal?

Além de tudo isso eles ainda enfrentam os próprios dramas:
Lochan fará dezoito anos em breve, irá para a universidade. Ele tem muita dificuldade de se relacionar com as pessoas. É o esquisitão do colégio, tem problemas em se comunicar e passa a maior parte do tempo preso em seu próprio mundo.
Maya é pouco mais de um ano mais jovem que ele, e é totalmente o oposto. Extremamente comunicativa, simpática e de personalidade forte.
O que os dois irmãos tem em comum além da fibra de manter a família unida? Eles são o apoio um do outro nessa difícil caminhada, nessa luta pela união dessa família atípica.
 
Chega de drama senhora querida autora Tabitha Suzuma? Claro que não….
O que fez o livro ser tão comentado por aí é que dessa grande e forte união entre os dois irmãos, eles se descobrem em meio a sentimentos também não tão comuns e daí o tema que tanto causou inquietação: o incesto. Sim, eles se apaixonam e descobrem que não é simplesmente o amor de irmão aquilo o que sentem, se enxergam também como homem e mulher. No começo, ao perceber que isso tudo estava nascendo entre eles – ou sempre existiu e eles é que foram se descobrindo – eu pensei que isso poderia ser aquela coisa adolescente: tudo o que é proibido é mais gostoso. Mas não é nada disso. Tabitha me mostrou na narrativa que o conflito moral que assolava os dois era muito maior do que qualquer fogo de paixão que pudesse existir; a linha tênue entre se entregar ao amor e colocar em risco tudo pelo que batalharam a vida toda para não perder estava sempre ali… ora contada do ponto de vista de Maya, ora por Lochan. Os capítulos alternados entre os dois protagonistas, mas sem contar o mesmo ponto da história repetidamente deu uma dinâmica incrível e me fez viver e sofrer tudo aquilo, junto com os dois! Diversas vezes me peguei conversando com o livro, dando conselhos aos dois e tudo mais…
Eu realmente não tenho o que dizer a respeitos pontos negativo do livro, eu realmente não consegui achá-los. Acima de tudo é uma história sobre o amor, sobre a força da família.

Essa leitura me fez questionar o quanto as circunstâncias em que se vive podem fazer parecer muito certo aquilo que toda uma sociedade acusa de ser repulsivo.

Com uma escolha de palavras sutis e densas na mesma proporção a autora me proporcionou uma reflexão sobre uma série de questões da vida, sociedade e imposições as quais nos submetemos a viver, simplesmente porque todo um grupo social julga ser certo, por mais que sua vida seja completamente incerta.
Para finalizar, gostaria de dizer a autora arrebentou meu coração e provocou uma enxurrada de lágrimas que eu não conseguia conter. Mesmo sem ser um final esperado, foi o melhor e mais incrível final que ela poderia ter concebido à história para que nada se perdesse ou que toda a luta não fosse em vão.

É uma obra linda, poética, arrebatadora e de reflexão. Por favor, não tenha preconceito em fazer essa leitura e prepare-se, porque é ressaca literária na certa.

Gente! Com certeza essa foi a maior resenha que eu já fiz até hoje. Me desculpem se me estendi muito, mas de verdade, precisava desabafar sobre o que pensei e senti.
Espero que tenha conseguido mostrar a vocês um pouco disso, um pouco do que esse livro fez comigo. Se chegou a ler até até aqui, muito obrigada por me deixar compartilhar isso com você.

E não consigo deixar de agradecer à Editora Valentina pelo capricho e notório carinho depositado nessa edição, é linda demais e condizente ao livro. Muito obrigada por ter trazido essa obra ao Brasil.

Alguém por aqui já leu? Também sofreu esse furacão de emoções?

Espero que tenham gostado.
Até a próxima.

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