Todas as garotas desaparecidas, de Megan Miranda

Oi, gente.

Vocês sabem que eu adoro ser surpreendida, não é mesmo? E melhor ainda do que ser surpreendida com a leitura, acho que o fato de ler é constituído por todo um momento. Acho que esse contexto todo é,  inclusive  o que faz com  que a nossa percepção dessa história seja diferente quando se lê um mesmo livro em diferentes momentos. Vou contar o que achei da leitura de Todas as garotas desaparecidas, da autora Megan Miranda, um livro que me fez oscilar opiniões a respeito. 

TODAS AS GAROTAS DESAPARECIDAS

Livro gentilmente cedido pela editora.

Autora: Megan Miranda

Editora: Verus

Ano: 2017

Páginas: 294

Gênero: Suspense

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Sinopse: Faz dez anos que Nicolette Farrell deixou Cooley Ridge, sua cidadezinha natal, depois que sua melhor amiga, Corinne, desapareceu sem deixar rastros. De volta para resolver assuntos pendentes, Nic logo se vê imersa em um drama chocante que faz o caso de Corinne ser reaberto e remexe em antigas feridas.

Logo ao chegar, Nic descobre que seu namorado da época está envolvido com Annaleise Carter, a jovem vizinha que foi o álibi do grupo de suspeitos para a noite do sumiço de Corinne. E então, poucos dias após a volta de Nic, Annaleise desaparece.  Agora Nic precisa desvendar o desaparecimento de sua vizinha e, no processo, vai descobrir verdades chocantes sobre seus amigos, sua família e o que realmente aconteceu com Corinne naquela noite, dez anos atrás.
Todas as Garotas Desaparecidas é um suspense psicológico impactante — contado de trás para frente. Quando você pensa que está seguindo por um caminho conhecido, Megan Miranda — autora revelação no gênero do suspense — vira tudo de cabeça para baixo e nos faz questionar até onde estaríamos dispostos a ir para proteger aqueles que amamos.

Cooley Ridge – Poucos segredos e muitos mistérios

Nicollete quis esquecer. Deixou seu passado para trás e se mudou para a Filadélfia depois dos acontecimentos. Ela quis esquecer, mas Cooley Ridge é a lembrança, a cidade nunca esquece. 10 anos após o desaparecimento de sua grande amiga Corine, Nic precisa voltar à cidade para resolver burocracias por conta da venda da casa da família, a casa de seu pai. O que eram lembranças de uma noite obscura protagonizada por jovens de 18 anos, agora volta à tona. O desaparecimento de Corine é uma ferida mal-cicatrizada que agora reabriu. Outra garota, Annaleise Carter está desaparecida. E a pequena cidade desenterra o passado.

Corine nunca foi encontrada. O seu desaparecimento sem rastros fez com que o pouco que existia servisse para que uma história fosse criada. O crime passional, o culpado… nada foi suficiente, o caso foi arquivado. Annaleise havia sido o álibi de Nic, seu então namorado Trevor, o irmão Daniel e Jackson, o suspeito mas provável, namorado de Corine.

A garota desaparece pouco tempo após o retorno de Nic para a cidade. Coincidência ou propositalmente? Os casos estão amarrados. A vida de muitas pessoas está amarrada ao desaparecimento de Corine, por mais que tenham tentado seguir em frente. E agora será que terão que reviver tudo novamente?

Sempre que pensamos em um suspense, a grande questão é o elemento surpresa, o fato que está nas entrelinhas que nos entrega o desenrolar da história. No caso do livro de estreia da autora Megan Miranda, best-seller do New York Times, o que me chamou atenção foi o fato de que não encontramos elementos nas entrelinhas para trabalhar como um fio-condutor para o suspense. Tudo é dito às claras, porém o diferencial é que a maior parte do livro é contada com a ordem cronológica partindo do décimo quinto dia após o desaparecimento de Annaleise, até o dia de seu desaparecimento, a hora exata e haver a revelação de como isso aconteceu. Claro que, além dos fatos narrados por Nic do que está cercando o mistério do desaparecimento da garota, a história é permeada por momentos onde a própria Nic nos conta o que aconteceu no passado, na noite do desaparecimento de Corinne.

Confesso que essa maneira de construção da narrativa me chamou muito a atenção. Achei interessante e confusa na mesma proporção. Interessante porque, pelo menos para mim, isso foi uma novidade; confusa porque em diversos momentos não me lembrava do que havia acontecido depois, o que fez com que algumas pontas ficassem soltar para o meu entendimento, mas acredito que uma releitura esclareceria bem essas questões. Eu acabei, por conta disso, não amando essa leitura, mesmo porque ainda li em uma fase onde minha rotina estava mudando então acabava lendo muito picado e a inversão da ordem cronológica dificultou um pouco. Mas, como um todo é uma obra bem escrita, mas bem linear, pois não encontrei nenhum apse de tensão até as últimas páginas da leitura.

Sempre gosto de falar dos personagens. Acho que a personagem que foi mais trabalhada, desenvolvida e melhor construída foi Corinne. Dela sabemos muito mais e temos mais elementos de construção. Os demais não são tão desenvolvidos e achei até que têm uma personagem um pouco volátil, principalmente no caso de Nic. No final das contas, acabei não tendo empatia por nenhum deles, pois achei todos muito sem personalidade definida. Temos uma história que se apega aos fatos e os personagens basicamente servem para que ela possa caminhar de um lado para outro, mas que não engrandecem a trama.

Fazendo um panorama geral, é um bom suspense, mas com ressalvas. Por ser a estreia da autora, achei a questão da construção da narrativa bem ousada e acho que podemos esperar muita coisa boa vindo dessa cabecinha criativa. Entretanto, retomando o raciocínio do início desse post, acho que o meu momento não foi favorável para essa leitura, talvez porque li espaçadamente, em muitos momentos ficava confusa e perdia o fio da meada, o que não sei se era uma questão da construção da narrativa ou de seu desenvolvimento por si só, ou do meu desempenho na leitura. Outros títulos virão então, terei a oportunidade de esclarecer minha opinião. Vamos ver.

Até a  próxima.

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2 Comments

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    Natalia 16 de Janeiro de 2018 (22:54)

    Eu li esse livro e confesso que esperava bem mais.
    Não foi algo que me surpreendeu, não.
    As formas utilizadas não chamaram a minha atenção e enfim, acabou que me decepcionei mais do que me surpreendi. Uma pena.

    Abraços,
    Naty
    http://www.revelandosentimentos.com.br/

    • comment-avatar
      Marina Herrador 21 de Janeiro de 2018 (17:54)

      Compartilho bastante do seu sentimento, Naty. Infelizmente não foi uma super surpresa positiva. Uma pena.